Retalhos
Geraldo Anízio
Tudo que você fizer
Faça olhando o dia de amanhã
Respeite o tempo e a hora da estrada
Não maltrate o acaso se ele vier
A felicidade pode estar
Em qualquer canto da vida
Às vezes você pisa e não sabe
Que ela veio pra ser sua amiga.
Não adianta querer enganar
Dessa vida os sublimes segredos
O amor não se compra em mercados
E o bem não se pinta em paredes.
Não retire os espinhos
Só então não se vê suas cores
Pois as pedras são formas abstratas
As palavras escondem as dores.
Não procure fugir da realidade
Os problemas existem em qualquer lugar
As pessoas são bonitas por dentro
E amar não é difícil acertar.
Não propague o nefasto orgulho
Ostentando o pudor sem dieta
A terra não tem boca e nem fome
Mas é sócia da morte que é certa.
Não reclame da vida que leva
O ciúme é uma porta sem saída
Quem rasgou a felicidade
Não recicla a sorte perdida
Não proclame palavras obscenas
Maldizendo velhas farsas vividas
Só se aprende na vida errando
Perdoando as falhas cometidas.
Ninguém sabe onde mora a verdade
A vida nasce às vezes no fosso
Sei que a água só mata a sede
Na vertente divina do poço.
Dizem que a verdade é cega
Quem comprou não pagou a vista
O mal é o que sai pela boca
Quem pintou o sete foi artista.
Quem não quiser perder a moral
Não a perca de vista um segundo
É só ter vergonha na casa
Pra não ser um parceiro do mundo.
A vida não serve pra nada
Nem pra nada não serve o ter
Porque quem não serve pra servir
Não serve na vida pra viver
Essas coisas você não enxerga
Acontecem na vida todo dia
São retalhos da vida jogados
Só você que não sabia.
(Direitos reservados ao autor)