Vejo-me no sertão de novo como nos velhos tempos. Não me farto de ver as coisas da terra de onde a gente nasceu. Fui rever na cidade de Jardim do Seridó, , o prédio do quartel de polícia em que moramos três anos de 1961 a 1963. Segundo minha mãe, certamente por ter nascido naquela cidade, fora a melhor morada da vida dela. Um palácio! Quem já morou num palácio. Pois bem, nós moramos! Tudo isso, porque meu pai na época era o delegado da cidade e tivemos o privilégio de morar num lugar de segurança total. A época já bastava, pois não era preciso falar de segurança, já que a palavra do momento era ORDEM. Um primeiro andar amplo e confortadíssimo, cheio de salas enormes e muitos janelões. Na parte de cima do andar, somente nossa família morava; desfrutando de uma tranquilidade inigualável. Eu me sentia um príncipe, um príncipe simples no sentido da palavra. Creia, não havia revestimento de ouro, nem cortinas douradas, tudo de semblante natural e de uma vida salutar. Na parte de baixo do prédio, estavam as celas de prisões para presos de causas normais e outras para crimes de segurança. Espantoso eu dizer que morei num quartel de polícia! Por sinal, nesses anos havia dois presos por crimes fatais. Ambos ficavam em salas isoladas, haja haver no térreo, cinco celas com grades reforçadas. Do lado direito de quem entra, há uma cela menor com uma porta em grades que dá entrada para uma outra bem espaçosa, que por sequência, uma terceira nos fundos de maior segurança. A morada no quartel de Jardim do Seridó, trouxe-me memórias saudáveis. Estranho contar uma história dessas, lladeados por soldados experientes e presos respeitosos jque cumpriam anos de prisões dentro de um padrão de época. Hoje o quartel é um museu, e para tanto, guarda-me recordações do meu tempo de menino em que eu morava ali e a cem metros, tomava banho nas águas claras do Rio das Cobras. A beleza estava ali! Onde mora a felicidade? Em qualquer parte em que a gente esteja às vezes bem, e por vezes achando que vida não é tão boa assim. Por fim, devo-lhes dizer que depois de quarenta anos de vida, fora uma visita fenomenal. Eu não sabia que a felicidade também morava nos quartéis!Descobri que a felicidade a gente não encontra. É só procurar viver a vida se bem está atrelada a ela.




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