Mofumbos
Apresento aqui minha poesia
Escrita sobre as notas dessa lira
O doce que Lambuza os meus versos
É tão doce como o mel da jandaíra
Eu escuto o canto das seriemas
Nos mofumbos plantados nos estradais
E os meninos correndo atrás da lua
Na divisa da parede dos quintais.
Cada palavra é um estrondo murmurante
Sacudindo a poeira do meu sertão;
E as folhas cobrem a terra tão queimada
Se ardendo feito gente pelo chão.
Vem boi bonito ruminar a baba santa
Que semeia a luz dos castiçais;
E na cacimba vejo a clara água benta
Lavanda as almas das eternas catedrais.
O meu verso é simples e complacente,
Com a flor brotada no cumaru;
Sinto a lágrima correr pela madeira
Quando bate o machado no mulungu.
Vem encher-me musa libérrima
Dos marmeleiros nas asas da juriti;
Se não vês, porque estou ao sol ardente,
O mesmo sol que nasceu meu Sabugi.
Traz-me o tinido acústico do lajedo
No rebento do poeta iluminado;
A asa branca não resmunga meu olhar
Vendo a secura do pereiro torrificado.
Quem me dera eu ficar a vida inteira,
No galope do meu verso cadenciado;
Eu só trago a vontade que é eterna
De ficar para sempre junto ao teu lado.




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