Blog de Geraldo Anizio Caicó


26/09/2009


Mofumbos                                                                                                                     

 

Apresento aqui minha poesia

Escrita sobre as notas dessa lira

O doce que Lambuza os meus versos

É tão doce como o mel da jandaíra

Eu escuto o canto das seriemas

Nos mofumbos plantados nos estradais

E os meninos correndo atrás da lua

Na divisa da parede dos quintais.

Cada palavra é um estrondo murmurante

Sacudindo a poeira do meu sertão;

E as folhas cobrem a terra tão queimada

Se ardendo feito gente pelo chão.

Vem boi bonito ruminar a baba santa

Que semeia a luz dos castiçais;

E na cacimba vejo a clara água benta

Lavanda as almas das eternas catedrais.

O meu verso é simples e complacente,

Com a flor brotada no cumaru;

Sinto a lágrima correr pela madeira

Quando bate o machado no mulungu.

Vem encher-me musa libérrima

Dos marmeleiros nas asas da juriti;

Se não vês, porque estou ao sol ardente,

O mesmo sol que nasceu meu Sabugi.

Traz-me o tinido acústico do lajedo

No rebento do poeta iluminado;

A asa branca não resmunga meu olhar

Vendo a secura do pereiro torrificado.

Quem me dera eu ficar a vida inteira,

No galope do meu verso cadenciado;

Eu só trago a vontade que é eterna

De ficar para sempre junto ao teu lado.

 

 

 

Escrito por geraldoanizio às 11h29
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25/09/2009


Metamorfose

            Geraldo Anízio

Tranquei para balanço minha vida

Em busca de ter mais estima;

Assim  foi a única saída,

De entrar numa reforma íntima.

 

Como é difícil esse exercício pessoal

Se lapido cada falta num açoite;

...e a mudança aparece gradual,

Ninguém pense que é do dia para a noite!

 

Transubstancia em espírito novo

Um corpo que estava inerte;

Na mais sincrônica análise.

 

...e aquele velho corpo estorvo

Tão perto agora do celeste,

Em transparência com a psicanálise!

                    Caicó-RN, 28.08.1997

 

 

 

Escrito por geraldoanizio às 21h35
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Sorriso Cínico                       

                     Geraldo Anízio

 

Um sorriso forçado é esquisito

E no rosto transparece o seu esforço

O lábio, que às vezes é tão bonito

Sem espontaneidade, fica grosso!

 

O sorriso é o retrato da alma,

Exaltando até o censo biológico;

E o próximo irritabilíssimo se acalma

Quando é dado um sorriso muito lógico!

 

Dessa forma, o sorriso é uma cortina

Que se abre com aplausos no seu ato;

E segura à cena no palco afinco.

 

Do contrário, o sorriso não é sina!

Vale mais a moral de um sapo,

Que até mesmo um sorriso cínico!

                        Caicó-RN, 06.02.1997

 

 

 

 

Escrito por geraldoanizio às 21h09
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